Jesus na casa de caifás
"Prenderam Jesus e o levaram à casa do Sumo Sacerdote. Pedro seguia de longe. Tendo eles acendido uma fogueira no meio do pátio, sentaram-se ao redor, e Pedro sentou-se no meio deles" (Lc 22,54-55).
Nessa casa Jesus não foi convidado a ir e nem foi por conta própria. Ele foi involuntariamente preso. Jesus, nessa casa, foi acusado injustamente. Pedro, que sempre estava próximo do Mestre, agora segue de longe e ainda diz desconhecer Jesus, porém depois chora amargamente.
Jesus não oferece resistência e nem se defende diante das acusações falsas que lhe atribuíam. Diante da prisão de Jesus, muitos testemunham sua inocência, o próprio Judas que o havia entregado reconhece dizendo: "Pequei, entregando sangue inocente" (Mt 27,4); Pilatos é aconselhado pela sua mulher: "Não te envolvas com esse justo" (Mt 27,19); e Pilatos também reconhece: "Não encontro nele motivo de condenação" (Jo 18,38).
Quantas vezes também prendemos Jesus através de nossos irmãos dentro de nossas casas, para acusá-los, julgá-los e sentenciá-los injustamente? Muitas vezes arrastamos nosso semelhante para dentro de nossas casas através de nossas conversas e fofocas, e impomos nossa sentença, sem que o mesmo possa se defender.
O Dízimo como Gesto de Amor e Justiça. Onde colocamos Jesus em nossa vida?
Se no tribunal de Caifás Jesus foi aprisionado pelo egoísmo e pela maldade humana, na comunidade cristã nós o libertamos e o servimos através do amor prático. É aqui que entra o sentido profundo do dízimo.
O dízimo não é um imposto cobrado por um juiz rigoroso. É a nossa forma de dizer "obrigado" a Deus por tudo o que Ele nos dá.
Através do dízimo, a comunidade mantém o culto, socorre os mais necessitados (dimensão caritativa) e estende a mão para que ninguém seja injustiçado ou passe fome. Em vez de "prender" ou "condenar" o irmão com fofocas, nós o acolhemos com dignidade.
A reflexão está na belíssima citação de São Paulo escolhida para este mês::
"Que cada um dê conforme tiver decidido em seu coração. Deus ama quem devolve com alegria" (II Cor 9,7).
A contribuição e a partilha do dízimo, não nascem do constrangimento ou do medo, mas de uma decisão madura e livre.
Que neste mês de outubro, possamos limpar as nossas casas e os nossos lábios de todo julgamento. Que o nosso dízimo seja a prova visível de que nossa comunidade é a antítese da casa de Caifás: um lugar onde Jesus é amado, defendido e servido com alegria na pessoa dos nossos irmãos.
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