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Festa de São Pedro e São Paulo


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Curta Terço dos Homens


 

Festa de São Pedro e São Paulo

Tão distante como o século quarto se celebrava uma festa em memória dos Santos Pedro e Paulo no mesmo dia, ainda que o dia não fosse o mesmo no Oriente e em Roma. O Martirológio Sírio de finais do século quarto, que é um extrato e um Catálogo Grego de santos da Ásia Menor, indica as seguintes festas em conexão com o Natal (25 de dezembro): 26 de dezembro Santo Estêvão, 27 de dezembro São Tiago e São João; 28 de dezembro São Pedro e São Paulo.

A festa principal dos Santos Pedro e Paulo foi mantida em Roma em 29 de junho desde o século terceiro ou quarto. A lista de festas de mártires no Cronógrafo de Filócalo coloca esta nota na data - "III. Kal. Jul. Petri in Catacumbas et Pauli Ostiense Tusco et Basso Cose". (= o ano 258). O "Martyrologium Hieronyminanum" tem, no Berne MS., a seguinte nota para o dia 29 de junho: "Romae via Aurelia natale sanctorum Apostolorum Petri et Pauli, Petri in Vaticano, Paulo in via Ostiensi utrumque in catacumbas, passi sub Nerone, Basso et Tusco consulibus" (ed. De Rossi - Duchesne, 84).

A data 258 nas notas revela que a partir desse ano se celebrava a memória dos dois Apóstolos em 29 de junho na Via Apia ad Catacumbas (perto de São Sebastião fuori le mura), pois nesta data os restos dos Apóstolos foram trasladados para o local descrito acima. Mais tarde, talvez com a construção da Igreja sobre as tumbas no Vaticano e na Via Ostiensi, os restos foram restituídos a seu anterior descanso: os de Pedro na Basílica Vaticana e os de Paulo na Igreja na Via Ostiensi.

No local Ad Catacumbas foram construídas, tão longínquos como no século IV, uma igreja em honra aos dois Apóstolos. Desde o ano 258 guardou-se a festa principal em 29 de junho, data em que desde tempos antigos celebrava-se os Serviço Divino solene nas três igrejas acima mencionadas (Duchesne, "Origenes du culte Chretien", 5o ed., Paris, 1909, 271s, 283s, Urbano, "Ein Martyrologium der christl. Gemeinde zu Rom an Anfang des 5. Jahrh", Leipzig, 1901, 169s; Kellner, "Heortologie", 3o ed., Freiburg, 1911, 210s.). A lenda procurou explicar que os Apóstolos ocupassem temporariamente o sepulcro Ad Catacumbas mediante a suposição que, em seguida da morte deles os Cristãos o Oriente desejassem roubar seus restos e levá-los para o Leste. Toda esta história é, evidentemente, produto da lenda popular.

Uma terceira festividade dos Apóstolos tem lugar em 1 de agosto: a festa das Correntes de São Pedro. Esta festa era originalmente a de dedicação da igreja do Apóstolo, erigida na Colina Esquilina no século IV. Um sacerdote titular da Igreja, Filipo, foi delegado papal ao Concílio de Éfeso no ano 431. A igreja foi reconstruída por Sixto II (432) às custas da família imperial Bizantina. A consagração solene pode ter sido em 1o de agosto, ou este foi o dia da dedicação da igreja anterior. Talvez este dia foi escolhido para substituir as festas pagãs que se realizavam em 1o de agosto. Nesta igreja, ainda de pé (S. Pedro em Vincoli), provavelmente se preservaram desde o século quarto das correntes de São Pedro que eram muito grandemente veneradas, sendo considerados como relíquias apreciadas os pequenos pedaços de seu metal.

De tal modo, a igreja desde muito antigamente recebeu o nome in Vinculis, convertendo-se a festa de 1o de agosto na festa das correntes de São Pedro (Duchesne, op. Cit. , 286s; Kellner, loc, cit., 216s.). A memória de ambos Pedro e Paulo foi mais tarde relacionada com os lugares da antiga Roma: a Via Sacra, nas proximidades do Foro, onde se dizia que foi atirado ao solo o mago Simão diante da oração de Pedro e a cárcere de Tullianum, ou Cárcere Mamertinus, onde se supõe que foram mantidos aos Apóstolos até sua execução.

Também em ambos lugares foram erigidos santuários dos Apóstolos e da cárcere Mamertina ainda permanece em quase seu estados original desde a longínqua época Romana. Estas comemorações locais dos Apóstolos estão baseadas em lendas e não há celebrações especiais nas duas igrejas. Entretanto, não é impossível que Pedro e Paulo tenham sido confinados na prisão principal de Roma na fonte do Capitólio, da qual fica como um resto a atual Cárcere Mamertinus.

Pedro e o Papado

No Novo Testamento podemos encontrar ampla evidência de que Pedro foi o primeiro em autoridade entre os apóstolos. Cada vez que os apóstolos são nomeados, Pedro encabeça a lista (Mt 10,1-4; Mc 3,16-19; Lc 6,14-16; At 1,13); algumas vezes aparece somente "Pedro e aqueles que estavam com ele" (Lc 9,32). Pedro era o primeiro que geralmente falava em nome dos apóstolos (Mt 18,21; Mc 8,29; Lc 12,41; Jo 6,69), e aparece em muitas cenas dramáticas (Mt 14,28-32; Mt 17,24, Mc 10,28).

Em Pentecostes, Pedro foi o primeiro que predicou a multidão (At 2,14-40), e foi Pedro que realizou a primeira cura milagrosa na nascente Igreja (At 3,6-7). Também foi a Pedro a quem veio a revelação de que os Gentis foram batizados e aceitos como cristãos (At 10,46-48).

Sua preeminente posição entre os apóstolos estava simbolizada no próprio princípio de sua relação com Cristo. Em seu primeiro encontro, Cristo disse a Simão que seu nome seria mudado para Pedro, que é traduzido como Rocha (Jo 1,42).

O fato é que - além da única vez que Abraão é chamado "rocha" (Hebraico: sur; aramaico: Kefa) em Isaías 51,1-2 - no Antigo Testamento somente Deus era chamado de rocha. Na antiguidade, a palavra rocha não era usada como nome próprio. Se você se dirige a um companheiro e lhe diz: "De agora em diante teu nome é Aspargo", as pessoas se surpreenderão. Por que Aspargo? Qual é a intenção disto? Que é que isto significa? Então, por que chamar "Rocha" a Simão, o pescador? Cristo não estava fazendo isto sem sentido, e tampouco os judeus, quando davam um nome.

Dar um novo nome é mudar a situação da pessoa, como quando o nome de Abrão foi mudado a Abraão (Gn 17,5), o de Jacó a Israel (Gn 32,28), o de Eliaquim a Joaquim (2Rs 23,34), os nomes dos quatro jovens hebreus - Daniel, Ananias Misael e Azarias - para Baltazar, Sidrak, Misak e Abdênago (Dn 1,6-8). Mas nenhum judeu tinha sido chamado de Rocha. Os judeus davam outros nomes tomados da natureza, como Barak ("relâmpago", Jz 4,6), Débora ("abelha", Gn 35,8) e Raquel ("ovelha", Gn 29,16), mas não Rocha.

No Novo Testamento, Tiago e João foram chamados por Cristo com o sobrenome de Boanerges, que significa "Filhos do Trovão", mas este nome nunca foi regularmente usado no lugar de seu nome original, e certamente não era tomado como um novo nome. Mas no caso de Simão-bar-Jonas, seu novo nome Kefas (em grego: Petrus) definitivamente substituiu o nome velho.

Como se deram as coisas

Não somente foi significante para Simão receber um novo e inusual nome, mas também foi importante o lugar onde Jesus solenemente mudou seu nome para Pedro. Isto sucedeu quando "Jesus veio à cidade de Cesaréia de Filipo" (Mt 16,13), uma cidade que Felipe, o Tetrarca, construiu em honra de César Augusto, que tinha morrido no ano 14 d.C.

A cidade estava situada perto das cascatas do rio Jordão e perto de um gigantesco muro de rocha de cerca de 60 metros de altura e 150 metros de largura, que é parte da parte sul do Monte Hermon. A cidade não existe atualmente, mas suas ruínas estão próximas a Banias, uma pequena cidade árabe, e na base do muro de rocha pode ser encontrada a sua esquerda um dos afluentes que alimentam o Jordão. Foi aqui onde Jesus se dirigiu a Simão e lhe disse: "Tu és Pedro" (Mt 16,18).

O significado deste fato ficou bem claro aos outros apóstolos. Como judeus devotos, eles sabiam que o lugar era verdadeiramente importante para o que estava sendo feito - mudar o nome de Simão. Ninguém acusou Simão por ter recebido somente ele esta honra, e no resto do Novo Testamento é chamado por seu novo nome, enquanto Tiago e João continuaram se chamando Tiago e João, e não Boanerges.

Promessas a Pedro

Quando Ele encontrou pela primeira vez Simão, "Jesus lhe fixou o olhar, e disse, 'tu és Simão, o filho de João? Chamar-te-ás Kefas (que significa Pedro)'" (Jo 1,42). A palavra "Kefas" em grego é meramente a tradução literal da palavra "Kefas" em aramaico. Então, depois que Pedro e os outros discípulos estavam com Cristo, eles regressaram outra vez a Cesaréia de Filipo, onde Pedro fez sua profissão de fé: "Tu és o Cristo, o Filho de Deus Vivo" (Mt 16,16). Jesus lhe disse que aquilo era uma verdade especialmente revelada a ele e então solenemente reiterou: "E eu te digo: tu és Pedro" (Mt 16,18). E a isto acrescentou a promessa de fundar a Igreja, de algum modo, fundada sobre Pedro (Mt 16,18).

Então duas coisas muito importantes foram dadas aos apóstolos: "Tudo o que ates na terra, será atado no céu, e tudo o que desates na terra, será desatado nos céus" (Mt 16,19). Aqui, Pedro foi distinguindo com a autoridade de perdoar os pecados e elaborar as regras disciplinares. Logo os apóstolos receberam similar poder, mas, neste caso, particularmente aqui recebe Pedro de modo singular. Também foi somente a Pedro que foi prometido: "Dar-te-ei as chaves do Reino dos Céus" (Mt 16,19).

Naqueles tempos, a chave era sinal de autoridade. Uma cidade cercada de muralhas tinha uma grande porta, e essa porta tinha uma grande fechadura que funcionava com uma grande chave. Dar a chave da cidade (uma honra que ainda existe hoje em dia, ainda que não haja portas) é também dar livre acesso e autoridade sobre a cidade. A cidade da qual Pedro estava recebendo a chave era nada mais e nada menos que a própria Cidade Celestial. Este mesmo simbolismo para a autoridade é usado em outra parte da Bíblia (Is 22,22; Ap 1,18).

Finalmente, após a Ressurreição, Jesus apareceu para os seus discípulos e perguntou três vezes a Pedro: "Tu me amas?" (Jo 21,15-17). Em arrependimento por suas três negações, Pedro fez uma tríplice afirmação de amor. Então, Cristo, o Bom Pastor (Jo 10,11.14), deu a Pedro a autoridade que havia prometido: "Apascenta as minhas ovelhas" (Jo 21,17).

Isto especificamente incluía os outros apóstolos, já que Jesus perguntou a Pedro, "Tu me amas mais do que estes?" (Jo 21,15) - a palavra "estes" se refere aos outros apóstolos que estavam presentes (Jo 21,2) -. Isto aconteceu para que se cumprisse a profecia feita antes de Jesus e seus discípulos estarem pela última vez no Monte das Oliveiras. Antes de sua negação Jesus disse a Pedro: "Simão, Simão, eis que Satanás pediu insistentemente para vos peneirar como trigo; eu, porém, orei por ti, a fim de que tua fé não desfaleça. Quando, porém, te converteres, [depois de sua negação] confirma teus irmãos." (Lc 22,31s). Foi por Pedro que Cristo rezou para que não lhe faltasse a fé e para que fosse o guia dos outros, e sua oração, sendo perfeitamente eficaz, seria cumprida certamente.

Quem é a rocha? Voltemos nossa atenção para o verso-chave: "Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei minha Igreja" (Mt 16,18). A discussão sobre este verso sempre se voltou para o significado da palavra "pedra" ou "rocha". A quem Jesus se refere? Visto que o novo nome de Simão, Pedro, por si só significa "rocha", a frase pode ser reescrita como "Tu és Rocha e sobre esta rocha edificarei minha Igreja". O jogo de palavras é óbvio, mas muitos comentaristas, desejando evitar o que segue (a instituição do papado), têm insinuado que a palavra rocha não pode referir-se a Pedro, mas sim à sua profissão de fé ou ao próprio Cristo. Do ponto de vista gramatical, a frase "esta rocha" deve referir-se ao substantivo mais próximo. A profissão de fé de Pedro ("Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo"), é feita a dois versículos do termo em análise, enquanto que seu nome, um nome próprio, está precedendo imediatamente a cláusula. Consideremos como analogia esta paráfrase: "Eu tenho um carro e um caminhão, e este é azul." Qual é o azul? O caminhão, porque é o substantivo mais próximo ao pronome "este". Tudo isto seria mais claro se a referência ao carro fosse a duas frases da que contém o adjetivo "azul", como a referência à profissão de fé de Pedro está a duas frases do termo "rocha".

Outra alternativa.

O mesmo tipo de argumentação considera que a palavra rocha pode fazer referência ao próprio Cristo, já que ele está mencionado na profissão de fé. O fato de que em outra parte da Escritura, em uma metáfora diferente, Cristo seja chamado "pedra angular" (Ef 2,20; 1Pe 2,4-8) não desaprova que aqui a fundação seja Pedro. Naturalmente, Cristo é o principal e, já que ele está regressando aos céus, a invisível fundação da Igreja que ele estabelecerá, Pedro é nomeado por ele como o secundário, porque ele e seus sucessores permanecerão sobre a terra, a visível fundação. Pedro pode ser a fundação somente porque Cristo é o Primeiro.

Consideremos outra analogia: Às vezes pedimos a nossos amigos que rezem por nós e oramos por eles. Nossas orações pedem a Deus especial ajuda para um e outro. Que estamos fazendo quando rezamos? Estamos agindo como mediadores, como intercessores. Estamos suplicando a Deus em favor de outro. Seria isto contra a declaração de Paulo que Cristo é o único mediador (1Tm 2,5)? Não, porque nossa mediação é inteiramente secundária e depende da mediação de Cristo. Ele é o único Deus-Homem, a única pessoa que é ponte entre Deus e o homem, mas nossa intercessão por outra pessoa não interfere na mediação de Cristo. Na realidade, nos quatro versos anteriores a 1Tm 2,5, Paulo manda os cristãos orarem uns pelos outros. Cristo poderia ter estabelecido sua mediação da forma que quisesse, mas decidiu que nós também participaríamos quando Ele próprio nos mandou rezar uns pelos outros (Mt 5,44; 1Tm 2,14; Rm 15,30; At 12,50). Assim, como pode haver intercessores secundários e um principal, também pode haver uma fundação secundária e uma principal.

Um olhar para o Aramaico

Os que se opõe à interpretação católica de Mt 16,18 algumas vezes argumentam que no texto grego o nome do apóstolo é "Petros", enquanto "rocha" é traduzida como "pedra" (petra). Eles dizem que a primeira palavra (petros) significa uma pequena pedra e que a segunda (petra) é uma grande massa de rocha, então, se Pedro foi pensado para ser uma grande rocha, por que seu nome não é "Petra"? Mas, observe que Cristo não falou para os seus discípulos em grego.

Ele falou em aramaico, uma linguagem popular na Palestina de então. Nessa língua a palavra para "rocha" era "Kepha", que é a utilizada por Jesus em sua linguagem comum (repare que em Jo 1,42 Ele disse: "chamar-te-ás Cefas"). O que Jesus disse em Mt 16,18 foi isto: "Tu és Kepha, e sobre esta kepha edificarei minha Igreja."

Quando o evangelho segundo São Mateus foi traduzido do aramaico original para o grego surgiu um problema que o evangelista não enfrentou quando compôs este compêndio da vida de Cristo. Em aramaico, a palavra kepha tinha o mesmo sentido final para se referir a uma grande rocha ou a um nome pessoal masculino. Em grego, a palavra para traduzir rocha, petra, é do gênero feminino. O tradutor poderia usá-la na segunda vez em que aparece a palavra na oração, mas não na primeira porque seria inapropriado dar a um homem um nome feminino. Por isso o tradutor pôs um final masculino nele, e este foi Petros.

Além disso, a premissa do argumento contra Pedro como rocha é simplesmente equivocada, pois no século primeiro as palavras gregas "petros" e "petra" eram sinônimos. Possuíram o significado de "pequena pedra" e "rocha grande", respectivamente, nos primórdios da poesia grega, mas no século primeiro essa distinção já havia se perdido, assim admitem alguns protestantes estudiosos da Bíblia (Ver os comentários de D. A. Carson em, "Expositor's Bible Commentary" [Grand Rapids: Zondervan Books]).

Alguns dos efeitos do jogo de palavras de Cristo perderam-se na tradução do aramaico para o grego, mas foi o melhor que pôde ser feito em grego. Em inglês, como em aramaico, não existem problemas com as finais, porque na tradução para o inglês poderia ser lido: "Tu és Rocha, e sobre esta rocha edificarei minha Igreja". [Pode-se dizer o mesmo em português. Assim como em aramaico, a frase não gera nenhuma confusão, tal como se lê na tradução hoje em dia: "Tu és Pedro (nome próprio masculino que significa pedra), e sobre esta pedra (substantivo comum que faz referência ao substantivo próprio anterior) edificarei minha Igreja." Nota do tradutor.]

Considerando outro ponto de vista; se a palavra rocha se refere diretamente a Cristo (como dizem alguns anticatólicos, baseando-se em 1Cor 10,4 "e essa rocha era Cristo" - ainda que a rocha fosse literalmente uma rocha física que viajava com os israelitas no deserto durante o êxodo; cf. Ex 17,6; Nm 20,8), por que Mateus deixou a passagem como estava? No aramaico original, e no inglês que é mais parecido com o aramaico do que o grego, a passagem é clara. Mateus acreditava que seus leitores entenderiam o óbvio sentido de "Pedro... pedra".

Se Mateus referia-se a Cristo como a rocha, por que não o fez claramente? Por que deu a oportunidade e deixou Paulo escrever esclarecendo o texto (pressupondo, naturalmente, que 1 Coríntios foi escrito depois do evangelho segundo Mateus, e se foi primeiro, por que não escreveu para esclarecer o assunto?).?

A razão, certamente, é que Mateus sabia muito bem que a frase queria dizer o que realmente está dizendo. E foi Simão, fraco como era, o escolhido para ser a rocha, o primeiro elo na cadeira do papado.

São Paulo, Seu nascimento e sua educação

De São Paulo mesmo sabemos que nasceu em Tarso, em Silícia (Atos, xxi, 39), de um pai que era cidadão romano (Atos, xxii, 26-28; cf. xvi, 37), no seio de uma família na qual a piedade era hereditária (II Tim., i, 3) e muito ligada às tradições e observâncias fariséias (Fil., iii, 5-6). São Jerônimo nos diz, não se sabe com que razões, que seus pais eram nativos de Gischala, uma pequena cidade da Galiléia e que o levaram a Tarso cuando Gischala foi tomada pelos romanos ("De vir. ill.", v; "In epist. ad Fil.", 23).

Este último detalhe é certamente um anacronismo mas as origens galiléias da família não são em absoluto improváveis. Dado que pertencia à tribo de Benjamin, lhe deram o nome de Saul (ou Saulo) que era comum nesta tribo em memória do primeiro rei dos judios. (Fil., iii, 5). Enquanto cidadão romano também levava o nome latino Paulo. Para os judios daquele tempo era bastante usual ter dois nomes, um hebreu e outro latino ou grego entre os quais existia com frequência uma certa consonância e que justapunham no modo usado por São Lucas (Atos, xiii, 9: Saulos ho kai Paulos). Ver neste ponto Deissmann, "Bible Studies" (Edinburgh, 1903, 313-17.)

Foi natural que, ao inaugurar seu apostolado entre os gentios, Paulo usasse seu nome romano, especialmente porque o nome de Saulo tinha um significado vergonhoso em grego. Posto que todo judeu que se respeitasse havia de ensinar a seu filho um ofício, o jovem Saulo aprendeu a fazer tendas de lona (Atos, xviii, 3) ou melhor dito a fazer a lona das tendas (cf. Lewin, "Life of St. Paul", I, London, 1874, 8-9). Era ainda muito jovem quando foi enviado a Jerusalém para receber uma boa educação na escola de Gamaliel (Atos, xxii, 3).

Parte de sua família residia provavelmente na cidade santa visto que mais tarde se faria menção de uma irmã cujo filho lhe salvaria a vida (Atos, xxiii, 16). A partir deste momento resulta imposível seguir sua pista até que tomou parte no martírio de Santo Estevão (Atos, vii, 58-60; xxii, 20). Nesse momento o qualificam de "jovem" (neanias), mas esta era uma apelação elástica que poderia aplicar se a qualquer entre vinte e quarenta anos.

Conversão e primeiras empresas

Lemos nos atos dos apóstolos três relatos da conversão de São Paulo. (ix, 1-19; xxii, 3-21; xxvi, 9-23) que apresentam ligeiras diferenças que não são difíceis de harmonizar e que não afetam nada a base do relato, perfeitamente idêntica em substância. Verse J. Massie, "The Conversion of St. Paul" em "The Expositor", 3ª série, X, 1889, 241-62. Sabatier de acordo com os críticos mais independentes disse (L'Apotre Paul, 1896, 42): "Estas diferenças não podem em absoluto alterar o fato, o objeto narrado é extremamente remoto não tratam nem sequer das circunstâncias que rodearam o milagre mas sim com as impressões subjetivas que os companheiros de São Paulo receberam nessas circunstâncias…" Utilizar essas diferenças para negar o caráter histórico do fato é fazer violência ao texto adotando uma atitude arbitrária. Todos os esforços feitos para explicar a conversão de São Paulo sem recorrer ao milagre fracassaram. As explicações naturalísticas se reduzem a duas: ou São Paulo creu verdadeiramente ver a Cristo enquanto sofria uma alucinação ou creu vê-lo somente através de uma visão espiritual que a tradição, recolhida nos Atos dos Apóstolos, converteu logo em visão material. Renan explica tudo por uma alucinação devida à doença, e causada por uma combinação de causas morais como a dúvida, o remorso, o temor, e algumas causas físicas como a oftalmía, a fadiga, a febre, a transição rápida do deserto tórrido para os jardins frescos de Damasco, quem sabe em meio a uma tormenta repentina acompanhada de raios e relâmpagos. Esta combinação múltipla teria produzido, segundo Renan, uma comoção cerebral com fase de delírio que São Paulo tomou de boa fé como aparição de Cristo.

Os outros partidários da explicação natural evitam a palavra alucinação mas caem, cedo ou tarde, na explicação de Renan a qual fazem mais complicada. Por exemplo Holsten, para o qual a visão de Cristo é simplesmente a conclusão de uma série de silogismos pelos quais Paulo se persuadiu a si mesmo de que Cristo havia verdadeiramente ressuscitado. Também Pfleiderer, para quem a imaginação desempenha um papel mais importante: "Um temperamento nervoso, alterável; uma alma violentamente agitada pelas mais terríveis dúvidas; uma fantasia do mais vívido, cheia das terribles cenas de perseguição por um lado, e por otro com a imagem ideal do Cristo celeste; a proximidade de Damasco que implicava a urgência da decisão, a intransigência que leva à solidão, o calor cegante e dolorosíssimo do deserto. De fato, tudo isso combinado, produziu um estado de êxtase no qual a alma pensa ver as imagens e os conceitos que violentamente a agitam como se fossem fenômenos do mundo externo" (Lectures on the influence of the Apostle Paul on the development of Christianity, 1897, 43). Citamos Pfleiderer palavra por palavra porque sua explicação "psicológica" se considera a melhor que já se desenvolveu E no entanto, se vê facilmente que é insuficiente e inclusive totalmente contraditória com o o documento escrito dos Atos como com o próprio testemunho expresso de São Paulo. (1) Paulo está seguro de ter "visto" a Cristo como o fizeram outros apóstolos (I Cor., xi,1); ele mesmo declara que Cristo lhe "apareceu" (I Cor., xv, 8) como a Pedro, Tiago ou aos doze depois da sua ressurreição. (2) Ele sabe bem que sua conversão não é fruto de nenhum raciocínio humano, mas de uma mudança imprevista, repentina e radical devido à graça onipotente (Gal., i, 12-15; I Cor., xv, 10). (3) É falso atribuir dúvidas, perplexidades ou remordimentos antes de sua conversão. Paulo foi detido por Cristo quando sua fúria alcanzava o mais alto estágio (Atos, ix, 1-2); perseguia à Igreja "com ciúme" (Fil., iii, 6), e foi merecedor da graça porque atuou com "ignorância em sua crença de boa fé" (I Tim., i, 13). Todas as explicações sociológicas ou não, carecem de valor ante estas afirmações, já que todos supõem que a causa de sua conversão foi sua fé em Cristo enquanto que, segundo os testemunhos concordantes dos Atos e das Epístolas, foi a visão de Cristo o que motivou a sua fé.

Depois da sua conversão, batismo e de sua cura milagrosa Paulo começou a predicar aos judeus (Atos, ix, 19-20). Depois se retirou a Arábia, provavelmente à região sul de Damasco. (Ga, i, 17), indubitavelmente mais para meditar as escrituras que para predicar. Em seu retorno a Damasco, as intrigas dos judeus o obrigaram a fugir de noite (II Cor., xi, 32-33; Atos, ix, 23-25). Foi a Jerusalém a ver a Pedro (Ga, 1, 18), mas ficou somente quinze dias porque as ciladas dos gregos ameaçavam a sua vida. A continuação passou a Tarso e lá fica cego por seus anos (Atos, ix, 29-30; Ga, i, 21). Barnabé foi em sua busca e o trouxe a Antioquia donde trabalharam juntos durante um ano com um apostolado frutífero. (Atos, xi, 25-26). Também juntos foram enviados a Jerusalém a levar as esmolas para os irmãos de lá com ocasião do período de fome antecipada por Agabo (Atos, xi, 27-30). Não parecem ter encontrado aos apóstolos aí desta vez, já que se encontravam dispersos por causa da perseguição de Herodes.

Os trabalhos apostólicos de Paulo

Este período de doze anos (45 - 57) foi o mais frutífero e ativo da sua vida. Compreende três expedições apostólicas das qual Antioquia foi sempre o ponto de partida e que, invariavelmente, terminaram com uma visita a Jerusalém.

(1) Primeira missão (Atos dos apóstolos, xiii, 1-xiv, 27)

Enviado pelo Espírito Santo para a evangelização dos gentios, Barnabé e Saulo embarcaram com destino a Chipre, predicaram na sinagoga de Salamina, cruzaram a ilha de leste a oeste seguindo sem dúvida a costa sul e chegaram a Pafos, residência do pró-cônsul Sérgio Paulo onde uma mudança repentina ocorreu. Depois da conversão do pró-cônsul romano, Saulo, repentinamente convertido em Paulo, é citado por São Lucas antes de Barnabé e assume notavelmente a liderança da missão que até então vinha sendo exercida por Barnabé.

Os resultados desta mudança são rápidos e evidentes. Paulo compreende que al depender Chipre da Síria e Silícia, a ilha inteira seria convertida quando as duas províncias romanas abraçassem a fé de Cristo. Escolheu então a Ásia Menor como campo de seu apostolado e embarcou em Perge de Panfília, onze quilômetros acima do porto de Cestro. Foi quando João Marcos, primo de Barnabé, desanimado talvez pelos ambiciosos projetos do apóstolo, abandonou a expedição e voltou à Jerusalém, enquanto Paulo e Barnabé trabalhavam sozinhos entre as árduas montanhas de Psídia, infestadas de bandidos e atravessaram profundos precipícios. Seu destino era a colônia romana de Antioquia, situada a sete dias de viagem de Perge. Aqui, Paulo falou sobre o destino divino de Israel e do envio providencial do Messias, um discursso que São Lucas reproduz em substância como exemplo de uma predicação na sinagoga. (Atos, xiii, 16-41). A estância dos dois missionários em Antioquia foi longa o bastante para que a palavra do Senhor fosse conhecida através de todo país. (Atos, xiii, 49). Quando os judeus conseguiram com suas intrigas um decreto de desterro, prosseguiram rumo a Icônio, distante três ou quatro dias de viagem, onde encontraram a mesma perseguição de parte dos judeus e a mesma acolhida de parte dos gentios. A hostilidade dos judeus os forçou a buscar refúgio na colônia romana de Listra, há aproximadamente 25 quilômetros de distância.

Aqui os judeus armaram ciladas para Paulo e, após apedrejá-lo o deixaram como morto, enquanto ele conseguia uma vez mais escapar buscando desta vez refúgio em Derbe, situada por volta de 60 quilômetros da província da Galácia. Depois de completar seu circuito, os missionários voltaram sobre seus passos para visitar aos novos cristianos, ordenaram alguns sacerdotes em cada uma das Igrejas fundadas por eles e depois voltaram à Perge, onde se detiveram a predicar novamente o Evangelho, enquanto esperavam embarcar a Atalia, um porto a dezoito quilômetros de lá. Ao regressar à Antioquia de Síria, depois de uma ausência que durou três anos, foram recebidos com mostras de gozo e ação de graças porque Deus lhes havia aberto as portas da fé ao mundo dos gentios.

O problema do estatuto dos gentios na Igreja começou a sentir-se então em toda sua magnitude. Alguns cristãos de origem judia que vinham de Jerusalém reclamaram que os gentios deveriam ser submetidos à circuncisão e tratados como os judeus tratavam aos prosélitos. Contra esta opinião, Paulo e Barnabé protestaram e se decidiu convocar uma reunião em Jerusalém para resolver o assunto. Nesta assembleia, Paulo e Barnabé representaram a comunidade de Antioquia. Pedro defendeu a liberdade dos gentios, Santiago insistiu no contrário, pedindo ao mesmo tempo em que se abstivessem de algumas das coisas que mais horrorizavam aos judeus.

Ao fim se decidiu que os gentios estavam isentos da lei de Moisés primeiramente. Em segundo lugar, que os cristãos da Síria e Silícia deveriam abster-se de tudo que fosse sacrificado aos ídolos, do sangue, dos animais e da fornicação. Em terceiro lugar, que sua decisão não era promulgada em virtude da Lei de Moisés mas dada em nome do Espírito Santo, o que signidicava o triunfo das idéias de São Paulo. A restrição imposta aos gentios convertidos procedentes da Síria e da Silícia não se aplicava às suas Igrejas e Tito, seu companheiro, não foi apremiado a circuncisar-se, apesar dos protestos dos judaizantes (Ga, ii, 3-4). Aqui se assume que Ga 2 e At 15, relata o mesmo fato posto que, de um lado, os protagonistas são os mesmos Paulo e Barnabé, e por outro Pedro e Tiago; a discussão é a mesma, a questão da circuncisão dos gentios; a cena idêntica à de Antioquia e Jerusalém, e a mesma data: por volta do ano 50 d.C.; e apenas um só resultado: a vitória de Paulo sobre os judaizantes.

Entretanto a decisão não saiu adiante sem dificuldades. O assunto não dizia respeito somente aos gentios e, enquanto que estes eram exonerados da Lei de Moisés, se declarava que ao mesmo tempo seria mais meritório e mais perfeito que eles a observassem, dado que o decreto parece ter comprazido aos judeus prosélitos de segunda geração. Além disto, os cristãos de origem judia, não haviam sido incluídos no veredito, podiam seguir sendo considerados como ligados devido à observância da lei.

Esta foi a origem da disputa que surgiu imediatamente depois em Antioquia entre Pedro e Paulo. Este último ensinou abertamente que a lei tinha sido abolida para os próprios judeus. Pedro não pensava de outro modo, porém considerou oportuno evitar a ofensa aos judaizantes e assim impedi-los que comessem com os gentios que não observassem a as cláusulas da lei. Assim, influenciou moralmente aos gentios a viver como viviam os judeus, Paulo fez ver que esta restrição mental e este oportunismo preparavam o caminho de futuros mal-entendidos e conflitos, e que, inclusive, tinha então, e teria nefastas consequências. Sua forma de relatar estes incidentes não deixa a menor dúvida de que Pedro foi persuadido por seus argumentos. (Ga, ii, 11-20).

(2) Segunda missão (Atos, xv, 36-xviii, 22)

O princípio da segunda missão se caracterizou por uma discussão a propósito de Marcos, que Paulo rechaçou como companheiro de viagem. Assim pois, Barnabé partiu com Marcos de Chipre e Paulo escolheu a Silas ou Silvano, un cidadão romano como ele e membro influente da Igreja de Jerusalém, e partiu para Antioquia a fim de levar o decreto do conselho apostólico. Os dois missionários foram primeiro de Antioquia a Tarso, com um alto no caminho para promulgar o decreto do primeiro Concílio de Jerusalém, e logo foram de Tarso a Derbe através das portas da Silícia, dos desfiladeiros de Tarso e das planícies de Licaônia.

A visita às igrejas fundadas na primeira missão se realizou sem incidentes se não é a propósito da eleição de Timóteo, que os apóstolos em Listra persuadiram para que se circuncisassem para melhor chegar às colônias de judeus, abundantes nesta área. Foi provavelmente em Antioquia de Psídia, por mais que os Atos não mencionem tal lugar, onde o itinerário da missão foi mudado pela intervenção do Espíritu Santo. Paulo pensou em entrar na província da Ásia pelo vale de Meandro, o qual permitiria un só dia de viagem, e no entanto, passaram através da Frígia e da Galácia pois o Espíritu lhes proibiu a predicar a palavra de Deus na Ásia (Atos, xvi, 6). Estas palavras (ten phrygian kai Galatiken choran) podem ser interpretadas de diversas maneiras, dependendo se faz referência aos Gálatas do norte ou do sul (veja GÁLATAS).

Seja como for, os missionários tiveram que viajar até o norte na região da Galácia chamada assim em propriedade e cuja capital era Pesinonte, e a única questão pendente era se predicavam aí ou não. Não pensavam em fazê-lo embora saibamos que a evangelização dos Gálatas foi devida a um acidente, o da doença de São Paulo (Ga, iv, 13); o que encaixa muito bem se nos referimos aos gálatas do norte. Em todo caso, os missionários depois de alcançar a Misia Superior (kata Mysian), tentaram chegar à rica província de Bitinia, que se extendia diante deles mas o Espíritu Santo os impediu (Atos, xvi, 7). Assim atravessaram Misia sem parar para predicar (parelthontes) e chegaram à Alexandria de Trôade, onde a vontade de Deus lhes foi revelada pela visão de um macedônio que os chamava pedindo auxílio para seu país.

Paulo continuou a utilizar sobre solo europeu os métodos de predicação que tinha utilizado desde o princípio. Até onde foi possível concentrou seus esforços em metrópoles desde as quais a fé se extenderia até cidades de menos destaque e, finalmente às áreas rurais. Onde encontrava uma sinagoga, começava a predicar nela aos judeus e aos prosélitos que estavam dispostos a escutá-lo. Quando a ruptura com os judeus era irreparável, o que ocorreria más cedo ou mais tarde, fundava uma nova igreja com seus neófitos como núcleo. Permanecia então na mesma cidade a não ser que uma perseguição se desatasse, normalmente por causa das intrigas dos judeus. Existiam, entretanto, algumas variantes do plano. Em Filipo, onde não havia sinagoga, a primeira prédica ocorreu em um posto chamado proseuche o que fez com que os gentios tomassem o fato como motivo de perseguição. Paulo e Silas, acusados de alterar a ordem pública, receberam golpes de paus, foram jogados em uma prisão e logo exilados. Porém em Tessalônica, e Beréia, onde se refugiaram depois de estar em Filipo, as coisas saíram conforme o plano previsto. O apostolado de Atenas foi absolutamente excepcional. Aqui não havia o problema dos judeus ou da sinagoga, e Paulo, em contra do seu costume, estava só. (I Thes., iii, 1).

Pronunciou um discurso diante do areópago do qual se conserva um resumo nos Atos dos Apóstolos (xvii, 23-31) como modelo em seu gênero. Parece ter deixado a cidade de grado, sem ter sido forçado por causa de uma perseguição. A missão de Corinto, por outro lado, pode ser considerada como típica. Paulo predicou na sinagoga todos os sábados e quando a oposição violenta dos judeus atentaram contra ele em vão; foi capaz de resistir graças à atitude, pelo menos imparcial, do pró-cônsul Galio.

Finalmente, decidiu ir-se a Jerusalém de acordo com um voto feito talvez em um momento de perigo. Desde Jerusalém, de acordo com seu costume, voltou à Antioquia. As duas epístolas aos tessalonicenses se escreveram durantre os primeiros meses da estadia em Corinto. Veja TESSALONICENSES.

(3) TERCEIRA missão (Atos, xviii, 23-xxi,26)

O destino da teceira viagem de Paulo foi evidentemente Éfeso, onde Aquila e Priscila o esperavam. Ele tinha prometido aos efésios voltar para evangelizá-los si tal fosse a vontade de Deus (Atos, xviii, 19-21) e o Espírito Santo não se opôs mais à sua entrada em Ásia. Assim, depois de uma breve visita a Antioquia foi-se através da Galácia e da Frígia (Atos, xviii, 23) e passando através das regiões da "Ásia Central" chegou à Éfeso (XIX, 1). Sua maneira de proceder permaneceu intacta. Para pover seu sustento e não ser uma carga para os fiéis, teceu todos os dias durante muitas horas muitas tendas, o que não o impediu de predicar o Evangelho. Como de costume, começou na sinagoga onde teve êxito durante os primeiros meses. Depois ensinou diariamente em uma sala colocada à sua disposição por um tal Tirano "desde a hora quinta até a décima" (das onze da manhã às quatro da tarde) de acordo com a tradição interessante do "Codex Bezaar"(Atos, xix, 9). Assim viveu dois anos de tal forma que os habitantes da Ásia, judeus e gregos, ouviram a palavra de Deus. (Atos, XIX, 20).

Claro que houveram provações e obstáculos que superar. Alguns destes obstáculos surgiram da inveja dos judeus, que tentaram inútilmente imitar os exorcismos de Paulo, outros vinham da superstição dos pagãos, particularmente acentuada em Éfeso. Entretanto, triunfou de modo tão claro que os livros de superstição que foram queimados tinham o valor de 50.000 moedas de prata (uma moeda correspondia aproximadamente a um dia de trabalho). Desta vez, a perseguição foi devida aos gentios e por motivos interessados. Os progressos do cristianismo arruinaram a venda das pequenas reproduções do templo de Diana e as da própria deusa, estatuetas muito compradas pelos peregrinos, e um certo Demétrio, a frente dos artesãos, incitou a plebe en contra de São Paulo. São Lucas descreveu com realismo e emoção a cena, levada em seguida ao teatro. (Atos, xix, 23-40). O apóstolo teve que render-se à tormenta. Depois de uma estância de dois anos e meio, ou talvez mais, em Éfeso (Atos, xx, 31: treitian), partiu para a Macedônia e de lá para Corinto, onde passou o inverno. Sua intenção era de seguir rumo à Jerusalém na primavera, sem dúvida para passar a Páscoa, mas ao saber que os judeus haviam planejado atentar contra sua vida, não lhes deu oportunidade de concretizá-lo por viajar por mar, regressando à Macedônia. Muitos discípulos, divididos em dois grupos, o acompanharam ou o esperaram em Trôade. Entre outros se encontravam Soprater de Beréia, Aristarco e Segundo de Tessalônica, Gayo de Derbe, Timóteo, Tíquico e Trófimo de Ásia e finalmente Lucas, o historiador dos Atos, nos da todos os detalhes da viagem: Filipo, Trôade, Assos, Mitiline, Jíos, Samos, Mileto, Cos, Rodas, Pátara, Tiro, Ptolemaida, Cesaréia e Jerusalém. Poderíamos citar ainda três fatos notáveis: em Trôade Pablo ressuscitou ao jovem Êutico que havia caído da janela de um terceiro piso enquanto Paulo predicava sendo a noite já avançada. Em Mileto pronunciou um discurso emotivo que arrancou as lágrimas aos anciãos de Éfeso. (Atos, xx, 18-38). Em Cesaréia o Espírito Santo antecipa pela boca de Agabo que seria preso, fato que não o fez desistir de ir a Jerusalém.

Quatro das maiores epístolas de São Paulo foram escritas durante esta terceira missão: a primeira aos Coríntios desde Éfeso, por volt da Páscoa antes de sua saída da cidade; a segunda aos coríntios desde Macedônia durante o verão ou outono do mesmo ano; aos romanos desde Corinto na primavera seguinte; a data da epístola aos gálatas é objeto de controvérsia. Das muitas questões a propósito da ocasião ou da linguagem das cartas ou da situação dos destinatários das mesmas, veja CORÍNTIOS, EPÍSTOLA AOS; GÁLATAS, ESPÍSTOLA AOS; ROMANOS, EPÍSTOLA AOS.

O cativeiro (Atos, xxi, 27-xxviii,31)

Quando os judeus acusaram em falso a Paulo de ter introduzido no templo os gentios, a multidão maltratou a Paulo, e, coberto de correntes, o jurista Lisias o mandou à prisão da fortaleza Antonia. Quando ele soube que os judeus haviam conspirado para matar ao prisiononeiro, o enviou sob forte escolta à Cesaréia, que era a residência do procurador Félix. Paulo não teve dificuildade para esclarecer as contradições dos que o acusavam mas, ao negar-se a comprar sua liberdade, Félix o manteve algemado durante dois anos e inclusive o jogou na prisão para dar gosto aos judeus em espera do do seu sucessor, o procurador Festo. O novo governador quis enviar o prisioneiro à Jerusalém para que fosse julgado na presença dos seus acusadores, porém Paulo, que conhecia perfeitamente as artimanhas dos seus inimigos, apelou a César. Em conseqüência, esta causa só podia ser despachada em Roma. Este período de cativeiro se caracteriza por cinco discursos do Apóstolo: o primeiro foi pronunciado em hebreu nas escadas da fortaleza Antonia ante uma ameaçadora multidão; Paulo relatou sua vocação e sua conversão ao apostolado, porém foi interrompido pelos gritos hostis da multidão (Atos, xxii, 1-22). No segudo, ao dia seguinte ante o sinédrio reunido sob a presidência de Lisias, o apóstolo dissuadiu hábilmente os fariseus contra os saduceus e não se pôde levar adiante nenhuma acusação. O terceiro foi a resposta ao acusador Tértulo em presença do governador Félix; nesta ocasião provou que os fatos não haviam sido manipulados, provando assim sua inocência. (Atos, xxiv, 10-21). O quarto discurso é uma simples explicação resumida da fé cristã ante o governador Festo, o rei Agripa e sua mulher Berenice, repete uma vez mais a história de sua conversão e ficou sem terminar devido às interrupções sarc

Ásticas do governador e a atitude irritada do rei (Atos, xxvi).

A viagem do prisioneiro Paulo de Cesaréia a Roma foi descrita por São Lucas com vivas cores e uma precisão que não deixam nada a desejar. Podem ser vistos os comentários de Smith, "Voyage and Shipwreck of St. Paul" (1866); Ramsay, "St. Paul the Traveller and Roman Citizen" (London, 1908).. O centurião Júlio enviou o prisioneiro Paulo e outros prisioneiros em um navio mercante no qual Lucas e Aristarco pudessem obter passagem. Já que a estação se encontrava distante, a viagem foi lenta e difícil. Passaram pela costa de Síria, Cilícia e Panfília. Em Mira de Lícia os prisioneiros foram transferidos a uma embarcação que se dirigia a Itália, porém uns ventos contrários persistentes os empurraram até um porto de Chipre chamado Bom-Porto, alcançado inclusive com muita dificuldade e Paulo aconselhou que passassem o inverno aí, mas sua opinião foi rejeitada e o barco ficou à deriva sem rumo por quatorze dias terminando nas costas de Malta. Durante os três meses seguintes a navegação foi considerada muito perigosa, assim não saíram do seu lugar, mas com a chegada da primavera se apressaram a prosseguir a viagem. Paulo devia chegar a Roma algum dia de março. "Ficou dois anos completos em uma casa alugada... predicando o Reino de Deus e a fé em Jesus Cristo com toda confiança, sem proibição" (Atos, xxviii, 30-31). E, com estas palavras, conclui o livro dos Atos dos Apóstolos.

Não cabe dúvida de que São Paulo terminou sendo absolvido em seu julgamento; já que (1) o informe d governador Festo, assim como o do centurião foram favoráveis; e que (2) os judeus parecem ter abandonado a acusação posto que seus partidários não pareciam estar informados (Atos, xxviii, 21); e que (3) o rumo tomado pelo procedimento judicial lhe deixou alguns períodos de liberdade  dos que falou como coisa certa (Fil, i, 25; ii, 24; Philem., 22); e que (4) as cartas pastorais (supondo que sejam autênticas) implicam um período de atividade de Paulo seguido da sua prisão. E se chega à mesma conclusão na hipótese segundo a qual não são autênticas, já que todas elas coincidem em que o autor conhecia bem a vida do apóstolo. Unanimemente se aceita que as "epístolas do cativeiro" foram enviadas desde Roma. Alguns autores tentaram provar que São Paulo as escreveu durante sua detenção em Cesaréia, mas poucos autores os seguiram. A epístola aos colossenses, aos efésios e a Filemon foram enviadas juntas e utilizando o mesmo mensageiro: Tíquico. É controverso se a epístola aos filipensses foi anterior ou posterior a estas últimas e a questão não foi jamais resolvida com argumentos incontrovertíveis (ver FILIPENSSES, EPÍSTOLA A LOS; EFÉSIOS, EPÍSTOLA A LOS; COLOSSENSES, EPÍSTOLA A LOS; FILEMON, EPÍSTOLA A).

Os últimos anos

Dado que este período carece da documentação dos Atos, está envolvido na mais completa obscuridade; nossas únicas fontes são algumas tradições dispersas e as citas disperssas das epístolas. Paulo quis passar pela Espanha desde muito tempo antes (Rom., xv, 24, 28) e não há provas de que mudaria seu plano. Já no fim do seu cativeiro, quando anuncia sua chegada a Filemon (22) e aos Filipenses (ii, 23-24), não parece considerar esta visita como iminente, dado que compromete aos filipenses enviar-lhes um mensageiro quando esteja concluído o seu julgamento e, portanto, ele preparava outra viagem antes do seu retorno ao oriente. Sem necessidade de citar os testemunhos de São Cirilo de Jerusalém, são Epifanio, São Jerônimo, São Crisóstomo e teodoreto diremos finalmente que o testemunho de São Clemente de Roma, bem conhecido, o testemunho do "Canon Muratorio", e a "Acta Pauli" fazem mais que provável a viagem de Paulo à Espanha. Em todo caso não pôde permanecer muito tempo por lá, devido à sua pressa por visitar outras Igrejas do leste. Pôde entretanto voltar à Espanha através da Gália, como pensaram alguns padres, e não à Galácia, aonde Crescêncio foi enviado mais tarde. (II Tim., iv, 10). É verossímil que, depois, chegaria a cumprir sua promessa de visitar seu amigo Filemon e que, en tal ocasião, visitaria as Igrejas do vale de Licaônia, Laodicéia, Colossos, e Hierápolis.

A partir deste momento o itinerário se torna sumamente incerto por mais que os seguintes acontecimentos parecem estar indicados nas epístolas pastorais: Paulo permaneceu em Creto o tempo necessário para fundar novas Igrejas, cujo cuidado e organização deixou nas mãos do seu colega Tito (Tit., i, 5). Foi depois a Éfeso e rogou a Timóteo, que já estava lá, que permaneceria aí até seu regresso enquanto Paulo se dirigia à Macedônia (I Tim., i, 3). Nesta ocasião visitou, como havia prometido, aos filipensses (Fil., ii, 24), e , naturalmente, também passou a ver os tessalonicensesalonicensses. A carta a Tito e a primeira epístola a Timóteo devem datar deste período; parece que foram escritas ao mesmo tempo aproximadamente, pouco depois de ter deixado a Éfeso. A questão é saber se foram enviadas desde Macedônia ou desde Corinto, como parece ser mais provável. O Apóstolo instrui a Tito para que se reúna com ele em Nicópolis de Epiro donde pensa passar o verão (Titus, iii, 12). Na primavera seguinte deve ter cumprido seu plano de volta a Ásia (I Tim, iii, 14-15). Aqui ocorreu o obscuro episódio da sua prisão, que provavelmente ocorreu em Trôade; isso explicaria o fato de ter deixado uns livros e roupas que necessitou depois (II Tim., ib, 13). De lá foi a Éfeso, capital da província de Ásia, onde o abandonaram todos aqueles que ele pensava que lhe haviam sido fiéis (II Tim., i, 15). Enviado a Roma para ser julgado, deixou a Trófimo doente em Mileto e a Erasto, outr dos seus companheiros, que permaneceram em Corinto por razões nunca esclarecidas (II Tim., iv, 20). Quando Paulo escreveu sua segunda epístola a Timóteo desde Roma, acreditava que toda esperança humana estava perdida (iv, 6).; nela pede a seu discípulo que venha ver-lhe o mais rápido possível, porque estava apenas com Lucas. Não sabemos se Timóteo foi capaz de ir a Roma antes da morte do Apóstolo.

Uma antiga tradição torna possível estabelecer os seguintes pontos: (1) Paulo sofreu o martírio cerca a Roma na praça chamada Aquae Salviae (hoje Piazza Tre Fontane), um pouco ao oeste da Via Ostia, cerca de três quilômetros da explêndida basílica de São Paulo Extra Muros, lugar onde foi enterrado. (2) O martírio ocorreu no fim do reinado de Nero, no décimo segundo ano (São Epifanio), no décimo terceiro (Eutalio), ou no décimo quarto (São Jerônimo). (3) De acordo com a opinião mais comum, Paulo sofreu o martírio no mesmo dia do mesmo ano que Pedro; alguns padres latinos disputam se foi o mesmo dia mas não do mesmo ano; a testemunha más antiga, São Dionísio o Corinto, disse somente Kata ton auton Kairon, o que pode ser traduzido por "ao mesmo tempo" ou "aproximadamente ao mesmo tempo". (4) Durante tempo imemorável, a solenidade dos apóstolos Pedro e Paulo se celebra no dia 29 de Junho, que é o aniversário, seja da morte, seja do traslado de suas relíquias. O Papa ía antigamente com seus acompanhantes a São Paulo Extra Muros depois de celebrar em São Pedro, ainda que a distância entre as duas basílicas (aproximadamente oito quilômetros) fazia a cerimônia cansativa, particularmente nesta época do ano. Assim surgiu o costume de transferir ao dia seguinte (30 de junho) a comemoração de São Paulo. A festa da conversão de São Paulo (25 de janeiro) tem origem comparativamente recente. Há razões para crer que este dia foi celebrado para marcar o traslado das relíquias de São Paulo a Roma, posto que assim aparece no Martirologio Hieronimiano. Esta festa é desconhecida na igreja grega (Dowden, "The Church Year and Kalendar", Cambridge, 1910, 69; cf. Duchesne, "Origines du culte chrétien", Paris 198, 265-72; McClure, "Christian Workship", London, 1903, 277-81).

Retrato físico e moral de São Paulo

De Eusébio sabemos (Hist. Eccl, VII, 18) que, incluso no seu tempo, havia representações de Cristo com os apóstolos Pedro e Paulo. A aparência de São Paulo, se conservou em três monumentos antigos: (1) Um díptico que do primeiro século (Lewin, "The Life and Epistles of St. Paul", 1874, frontspiece of Vol. I and Vol. II, 210). (2) Um amplo medalhão encontrado no cemitério de Domitila e que representa aos apóstolos Pedro e Paulo (Op. Cit., II, 411). (3) Um prato de cristal no Museu Britânico com os mesmos apóstolos (Farrara, "Life and Work of St. Paul", 1891, 896). Também temos duas descrições concordantes nos "Atos de Paulo e Telea" pseudo Luciano de Filópatris de Malalas (Chronogr., x), e no Nicéforo (Hist. Eccl, III, 37). Paulo era de baixa estatura; o pseudo Crisóstomo o chama o homem dos três cotovelos (antropos tripechys); tinha as costas largas, um pouco calvo, de nariz ligeiramente aquilino ,sombrancelhas corridas, barba grossa e grisalha, porte harmonioso e maneiras agradáveis e afáveis. Sofria de uma enfermidade difícil de diagnosticar (cf. Menzies, "St Paul's Infirmity" no "Exposity Times", July and Sept., 1904), mas apesar dessa doença dolorosa e humilhante ( II Cor., xii, 7-9; Gal., iv 13-14) e de que sua presença não era imponente (II Cor., x, 10), Paulo possuiu sem dúvida uma resistência física fora do comum que só ele pôde suportar seus trabalhos sobrehumanos (II Cor., xi, 23-29). O pseudo Crisóstomo "In princip. Apóstol. Petrum et Paulum" (in P. G.., LIX, 494-95), pensa que morreu à idade de sessenta e oito anos depois de haver servido ao Senhor trinta e cinco.

O retrato moral é algo mais difícil de esboçar, tão cheio de contrastes. Seus elementos podem ser encontrados em Lewin, Op. Cit., II xi, 410-35(Paul's Person end Character); em Farrar, Op. Cit., Appendix, Excursus I; e especialmente em Newman, "Sermons preached on Various Occasions", vii, viii.

O Papa

O título de Papa é um termo bastante atual que é utilizado para denotar o Bispo de Roma, que, em virtude de sua posição como sucessor de Pedro, é o Chefe máximo da Igreja Católica, o Vicário de Cristo na terra.

Existem também outras denominações que leva o Bispo de Roma: ele é o Arcebispo da província de Roma, Primado da Itália e das ilhas adjacentes e absoluto Patriarca da Igreja ocidental.

Os quatro capítulos da constituição "Pastor Aeternus", do Primeiro Concílio Vaticano, enfrentou respectivamente o ofício da suprema cabeça conferida a São Pedro, a dizer: a perpetuidade desse ofício na pessoa do Pontífice Romano, a jurisdição do Papa e sua Suprema autoridade para definir todas as perguntas e dúvidas sobre a fé e a moral.

Basílica de São Pedro

Na solenidade de São Pedro e São Paulo celebra-se também a festa da Basílica que leva o nome do Primeiro Papa, em honra à enorme devoção rendida desde os primeiros cristãos.

A Basílica de São Pedro é o maior templo da cristandade. Encontra-se situada à margem direita do Tiber, dentro da Cidade do Vaticano. A Basílica primitiva - com cinco naves e consagrada no ano de 326 - foi construída pelo desejo de Constantino sobre o túmulo do Apóstolo. São Pedro converteu-se rapidamente em um dos lugares preferidos pelos romanos, que mesmo antes do fim do império, no ano de 476, começaram a se estabelecer nos arredores, onde aproveitaram os antigos e gloriosos restos do império romano.

Os fiéis acudiam a São Pedro para venerar as sagradas relíquias guardadas no templo: o corpo do apóstolo, o de sua filha Petronila, os restos mortais de alguns de seus discípulos, um fragmento da cruz e, sobretudo, a célebre Verônica, o véu onde ficou gravado o rosto de Jesus.

Em 1289, o Papa Nicolau IV enumerou as relíquias da Basílica mencionando, primeiramente, a Verônica e, depois, o corpo do Apóstolo. A importância concedida pelo pontífice a Verônica explica-se porque esta representava a autêntica imagem do rosto de Jesus e recolhia também as pequenas partículas deixadas na terra por seu corpo, em memória de seu sacrifício pelos homens. Durante os Jubileus, a Verônica era exposta publicamente todas as sextas-feiras e quando celebrava-se uma festa solene.

No transcorrer do tempo, São Pedro enriqueceu-se com novos relicários, como também com uma profusão de decorações de estilo bizantino, românico e gótico.

Entre os anos de 1100 e 1200, a fachada do templo e seu interior foram decorados com afrescos e mosaicos. Em 1330, Giotto e outros artistas de sua escola realizaram o mosaico da nave lateral e o políptico do altar maior. No entanto, durante os anos seguintes descuidou-se da basílica e esta correu o risco de ver-se reduzida a um monte de ruínas.

Em meados do séc. XV, o Papa Nicolau V decidiu reestruturá-la e confiou tal tarefa (1452) a Bernardo Rosselino. Após o falecimento do pontífice, no ano de 1455, as obras foram interrompidas quase por completo até o período do Papa Julio II, que as colocou nas mãos de Bramante. Este recebeu o título de mestre das ruínas ao demolir por completo a antiga igreja e a construção edificada por Rosselino.

Em 18 de abril de 1506, pôs-se em marcha a construção da nova basílica, concebida por Bramante com um planta em forma de cruz grega e uma grande cúpula central; no entanto, até a sua morte, em 1514, só havia conseguido edificar os quatro pilares centrais com seus relativos arcos de união. Estes últimos condicionaram todas as sucessivas intervenções. Rafael foi o encarregado de prosseguir com os trabalhos.

Deixou de lado a arquitetura central de Bramante e pôs em marcha um majestoso projeto com uma planta em forma de cruz latina.

Rafael faleceu em 1520, mas sua obra foi continuada por Antonio de Sangallo. A partir de 1547, as obras passaram a estar sob a direção de Miguelangelo Buonarotti, que voltou a adotar a concepção de planta central de Bramante ao imaginar a basílica como um templo ilhado no meio de uma praça.

À morte de Miguelangelo, quase havia sido terminado o cúpula sobre a qual Giacomo della Porta e Domenico Fontana ergueram (1588-1589) a grande cúpula concebida por Buonarroti. A partir de 1607, Carlo Maderno completou definitivamente a obra, transformando, por desejo de Paulo V, a planta de cruz grega em outra de cruz latina na qual acrescentou três arcadas e o pórtico da entrada e realizou a fachada. Terminada em 1612, a basílica foi consagrada por Urbano VIII no ano de 1626. Atualmente, tem uma extensão de 186 metros, uma superfície de 15.160 metros quadrados, e a altura de sua cúpula é de 119 metros.

Deve ser destacado, ainda assim, o baldaquino de bronze com as quatro maravilhosas colunas em espiral, obra também de Bernini, a Pietá, de Miguelangelo e cinco portas que se somam à fachada sob a galeria das Benções. Uma cruz designa essa Porta Santa. Essa mesma Porta Santa que foi aberta com uma solene cerimônia no Grande Jubileu de 2000.






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