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Pe. Faus - Fé, Verdade e Caridade

 
 
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Padre Francisco Faus








Fé, Verdade e Caridade          
Pe. Francisco Faus


SALMOS: SERVIR COM ALEGRIA
19 de setembro de 2019 PeFaus@1928


─ Aclamai ao Senhor, ó terra inteira, servi ao Senhor com alegria, entrai com júbilo na sua presença
 (Salmo 100,2).

Com esse verbo –servir – Jesus fez a sua autobiografia. Numa ocasião em que os apóstolos disputavam sobre qual deles era o maior, Jesus se definiu a si mesmo assim: O Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a vida para resgate de muitos (Mt 20,28).

– Veio para servir aos desígnios redentores de seu Pai: O meu alimento é fazer a vontade daquele que me enviou e realizar a sua obra (Jo 4,34).

– Veio para nos servir, dando  a vida por nós: Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida por seus amigos (Jo 15,13).

E houve um momento em que, com um gesto concreto, mostrou como estão unidos o espírito de serviço e a alegria cristã. Foi na Última Ceia, depois de lavar os pés da cada um dos apóstolos, Judas incluído.  Jesus se levantou, tomou de novo o manto e disse: Compreendeis o que vos fiz?…Dei-vos o exemplo, para que assim como eu vos fiz, também vós o façais… 

Se compreenderdes isso e o praticardes, sereis felizes (cf. Jo 13,12-17).

  • Servir com alegria. E geral, as pessoas acham que serão mais felizes recebendo do que dando. Querem e pedem ser servidos − nos seus sonhos, desejos, gostos e ambições – servidos pela vida, pelo mundo, pela sociedade, pelos demais. Não acham sentido em fazer da vida um “serviço”. Dizem o contrário de Jesus: «Sai daqui, eu não vim para servir, mas para me realizar».

Talvez por isso haja tantos frustrados, infelizes e deprimidos. Não  percebem que os sonhos do egoísmo levam à destruição.

“Realização”? Só procurando a plenitude do amor – que é dar e dar-se com alegria –, até vibrar em uníssono com o bater
do Coração de Cristo: Eu vos dei o exemplo.

  • Servir como e em quê? Num livro publicado no ano 2000 [1], procurei sugerir um exame de consciência sobre o espírito cristão de serviço, que vou reproduzir, adaptado, a seguir.

Será que já percebemos – perguntava nesse texto – a enorme capacidade inativa de ajudar (portanto, de servir), que todos nós temos? Que acha se pegássemos,  para não ficarmos na teoria, um papel e um lápis e fizéssemos uma lista – em quatro colunas – com as nossas possibilidades? Por exemplo, as seguintes:

 Primeira coluna: Pequenos serviços que eu poderia prestar, se fosse generoso, às pessoas da minha casa (pensando em cada uma delas). Serviços materiais (ordem, tarefas, compras, limpeza, atendimento da porta, recados, etc.) que eu poderia fazer. Mais ajuda no estudo dos filhos. Auxílios mais profundos, de orientação, de aconselhamento moral e espiritual, de formação nas virtudes, que poderia dar e não dou…

– Segunda coluna: Pequenos serviços que poderia prestar no meu ambiente profissional, além do trabalho bem feito. Pense, com realismo, nos modos possíveis de auxiliar, de facilitar e tornar mais amável o trabalho dos colegas e subordinados. Será que eles podem contar comigo, se estão atribulados? Sabem que estou disposto a ouvir, e por isso me confidenciam as suas dificuldades? Confiam nas orientações que dou?

– Terceira coluna: E no clube, no time, na turma de pescadores, na do mountain-bike, na dos integrantes da banda, na dos grupos de oração ou de preparação para os Sacramentos, será que não poderia ser mais prestativo, ter mais iniciativas, ser um apoio maior, dar mais o couro quando é preciso preparar festas, natais, quermessese outros bons momentos?

– Quarta coluna: E com os necessitados, com os que sofrem? Que faço? Digo que não posso fazer quase nada, a não ser dar esmolas e, de vez em quando, uma contribuição para o orfanato e o dízimo na igreja? Digo que não sei falar, ensinar, dar aula e, por isso, não posso prestar serviços? Mas… posso visitar doentes. Posso fazer visitas a algum hospital ou asilo. Posso prestar algum serviço social (uma vez por semana, uma vez por mês…), baseado nos meus conhecimentos profissionais (assessoria jurídica gratuita, assistência médica ou dentária, assistência em informática, assistência técnica para a construção de casinhas populares, aulas de complementação, etc, etc).

Há, sem dúvida, outras colunas, que cada qual poderia descobrir sozinho e preencher; mas sejam quantas forem, o que importa é tirar agora propósitos concretos de servir mais, muito mais, conscientes de que assim daremos as alegrias que devemos aos outros, e ao mesmo tempo, o nosso coração irá ficando mais cheio de alegria. Como o salmista, entenderemos o que é servir com alegria, e o nosso coração entrará com júbilo na presença do Senhor.

Antes de terminar esta meditação, pense em Maria. Nossa Senhora só queria servir: Eis aqui a serva do Senhor (Lc 1,38), disse ao Anjo no dia da Anunciação. Logo a seguir correu para ajudar, prestando muitos serviços diários, a sua prima santa Isabel, que estava para ter um filho. E lá, na casa da prima, deixou seu coração extravasar a alegria que a inundava:  

A minha alma engrandece o Senhor, e o meu espírito exulta de alegria em Deus, meu Salvador, porque olhou para a pequenez da sua serva. Doravante, todas as gerações me chamarão bem-aventurada  (Lc 1,46-48).


Trecho do nosso livro O espelho dos Salmos, Quadrante 2019

[1] A inveja, Ed. Quadrante, pp. 48-50




Padre Francisco Faus

 Pe. Francisco Faus

Contato: 
francisco@padrefaus.org



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